FILMES DE TEMÁTICA NATALINA
Há 3 meses
Finalmente, deve ter terminado a série ou irá terminar esta semana. Nas últimas 5 temporadas e com aquele lapso de tempo de 5 anos, os meninos viraram jovens, o filhote de Susan já estava bem grandinho.
Mas nessas últimas temporadas, o criador perdeu a mão, talvez por causa do público ou deveres do canal e anunciantes. Muitas coisas aconteceram no solo e na sociedade norte-americana. Embora elas não fossem sinalizadas na série, o non-sense predominou. Assassinatos, policia, prisões, finalmente o julgamento de Bree, retomando aquela irmandade fiel com as amigas. Mas... entre um amor e as amigas, o amor prevalece. Diferente da ulima década do século XX.
Enfim, tornou-se a série um novelão. Bree rejeitando um namorado? Mas depois aceitando. A engraçada, imatura e desastrada Susan, a desenhista de livros, passou uma fase como dona de casa, atriz pornô e tornou-se uma avó tradicional. . Lynette voltando para o marido, concordando em ser só esposa, enquanto se encontra com várias colegas, hoje vitoriosas e ricas. Filhos crescidos, a hesitação entre permanecer no subúrbio submissa a um marido instável economicamente e o convite que recebeu para dirigir uma empresa em Nova York, puro non-sense. Em um dado momento em que ele descobre sua hesitação fala: “Sei agora que faltava sempre algo para você ser feliz. E sempre faltará!” Lógico, ela nunca foi dona de casa, para pregar botão na camisa do marido. Livre dos filhos, todos crescidos, sib a benção final do marido, ela vai em busca do que lhe falta e em grande estilo: ser diretora da empresa em Nova York. Esse foi o caminho perdido de Lynette. Dirá o autor: nunca é tarde. Gaby tornando-se a mantenedora enquanto o “macho man” torna-se um ser doméstico, cuidando da casa. A troca de papéis, ainda bem que no final volta a um outro equilíbrio, os dois donos de um negócio.
Mas Desperate housewives virou história da carochinha. No final, foram felizes para sempre... E para assegurar isso, o autor dá novo pulo para o futuro e mostra todas e todos muito bem na vida e felizes com seus netos.
De qualquer maneira não dá para aceitar uma série que teve um começo tão forte em cima da “atual mulherzinha”para um final... tão desastroso, e todos foram felizes. Igual insucesso aconteceu com Nip-tuck, outra série que investiu na cirurgia plástica e desandou.
América
Quando a série começou nos idos dos anos 2004/2005, de início gostei do tema porque ela tinha uma crítica sutil aos casais, moradores dos subúrbios norte-americanos. Situado em algum espaço, provavelmente próximo a várias cidadezinhas iguais, o criador (Marc Cherry)e seus roteiristas criaram uma forma inusitada de unir os episódios fragmentados: a morte de uma esposa, bem casada, bem resolvida na vida. Seria ela do além que iria analisar a vida tediosa e rotineira de suas amigas.
Marc Cherry já tinha sentido o suave odor da glória quando roteirista da excelente comédia As supergatas (The Golden girls, 1985-1992) série que tratava da vida diária de 4 amigas, idosas, entre 50 e 62 anos.
Marc Cherry sabia, portanto, construir muito bem uma linha de enredo onde podia colocar mulheres casadas e divorciadas, classe média e que tivessem comportamentos diversificados.
A baratinada, imatura emocionalmente e desastrada mulher (Susan) que divorciada, completava sua renda ilustrando livros infantis e que tinha uma filha adolescente bem mais madura do que ela em ações e situações.
A mulher (Bree) que se identificou tanto com o papel de esposa e rainha do lar, que nem sabia por onde seu marido - bem colocado na vida - andava nem como estavam os seus desejos sexuais. Também a dona de casa ideal nem sabia o que se passava com seu lindo casal de filhos adolescentes. Ela era a melhor dona-de-casa, que tinha o melhor jardim da redondeza e seus jantares eram divinos para os vizinhos. Era a criação do modelo ideal para se revisitar: a situação da mulher que vivera até os anos cinquenta/sessenta do século XX, e que nem mais passa pela cabeça das atuais mulheres de classe média, com tantas modificações da sociedade, com o auxílio do feminismo, nesses últimos 50 anos.
Tinha, ainda, a mulher inteligente, executiva (Lynette) que tinha caído na armadilha do casamento, e que em cinco anos tornou-se mãe de quatro filhos, inclusive de gêmeos endiabrados. Como ela diz no episódio piloto. Em cinco anos, ela ficara presa a quatro filhos! Seu marido continuava a trabalhar, mas ela não, embora tivesse excelentes ideias de empreendedorismo.
Finalmente, tinha o casal latino. Ele riquíssimo (só assim aceito?) e ela (Gabrielle) ex-modelo, mimada e lindíssima.
A trama era ótima e a estratégia da narração por uma amiga morta conseguia evidenciar as críticas dessa sociedade com humor, riso e ridículo. Sociedade-comunidade na qual os homens viviam seus trabalhos fora da clausura e as mulheres eram represadas em pequenas comunidades.
No entanto, apesar de ganhar prêmios na primeira temporada(considerada drama) e mesmo na segunda (tratada como comédia), alguma coisa degringolou e não só tornou-se uma série chata (apesar do belo tratamento cênico) como chegou ao non-sense. Tornou-se um novelão.
Veremos o final da série depois. Não quero adiantar a conclusão aos seus queridos fãs.
Continua na próxima semana
América






